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Local: Aracaju, Sergipe, Brazil

Pessoa em constante processo de autoconhecimento

13.10.04

Beleza

A carne velha e enrrugada era mais que um espelho da idade. Demonstrava todas as amarguras vividas e presenciadas. Presenciadas sim. Porque não era daqueles que passavam pela vida e apenas deixavam hipocrisia, medo, insegurança.
Não era daqueles que tinham medo de viver, que se apegavam a pouco, ao superficial. Vivia, aprendia. Observava e aprendia muito mais.
As marcas que hoje possui são um troféu mais do que belo, pois as tristezas que um dia tinha conhecido agora são motivo de orgulho e prazer.
Respeitava a si próprio e mais ainda aos outros. Sempre procurou olhar além e ver o que os outros faziam questão de não perceber. Adorava observar, ver que todos são diferentes, que cada um é peculiar, legal e insuportável a seu modo.
Essa carne que demonstra a realidade, que para muitos era decrépita e repugnante, para ele era a prova de que da vida nada se leva. É a concretização que a verdadeira beleza não envelhece, e sim tende a ser cada vez mais viçosa e atraente. E ele era assim.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

"Viver é morte lenta".
Dica: Leia "Elogio à loucura" e veja como um sábio trata a velhice.
Dizem que o mundo, daqui a alguns anos, vai ter a maioria da a sua população composta por velhos. Quero estar no meio desse censo. Quem sabe.
Beijos.
O texto é muito bom. Está muito bom.

1:35 AM  

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